BAILA COMIGO
Everyone is a moon, and has a dark side which he never shows to anybody... Mark Twain
Saturday, May 06, 2006
Tuesday, May 02, 2006

DO MAR
Aqueles de um país costeiro, há séculos,
contêm no tórax a grandeza
sonora das marés vivas.
Em simples forma de barco,
as palmas das mãos.
Os cabelos são banais
como algas finas. O mar
está em suas vidas de tal modo
que os embebe dos vapores do sal.
Não é fácil amá-los
de um amor igual à
benignidade do mar.»
Fiama Hasse P. Brandão
Monday, May 01, 2006

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão Ferreira
Friday, April 28, 2006

Estou Além
Nao consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra nao chegar tarde
Nao sei de que é que eu fujo
Será desta solidão?
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem
quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem nao conheci
Esta insatisfação
Nao consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar
a procurar
A minha forma
O meu lugar
....
António Variações
Thursday, April 27, 2006
Wednesday, April 26, 2006

Não posso adiar o amor para outro século
não posso ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite
e arda sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar ainda que a noite
pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século
a minha vida nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
(Antonio Ramos Rosa)
Tuesday, April 25, 2006
Sunday, April 23, 2006

Barco Negro
De manhã, que medo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia.
Mas logo os teus olhos disseram que não!
E o sol penetrou no meu coração.
Vi depois numa rocha uma cruz
e o teu barco negro dançava na luz...
Vi teu braço acenando entre as velas já soltas...
Dizem as velhas da praia que não voltas.
São loucas... são loucas!
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.
No vento que lança areia nos vidros,
na água que canta no fogo mortiço,
no calor do leito dos bancos vazios,
dentro do meu peito estás sempre comigo.
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.
David Mourão Ferreira
Thursday, April 20, 2006
like the first morning
Blackbird has spoken,
like the first bird
Praise for the singing,
praise for the morning
Praise for the springing
fresh from the world
Sweet the rain's new fall,
sunlit from heaven
Like the first dewfall,
on the first grass
Praise for the sweetness
of the wet garden
Sprung in completeness
where his feet pass
Mine is the sunlight,
mine is the morning
Born of the one light,
eden saw play
Praise with elation,
praise every morning
God's recreation of the new day
Cat Stevens
Wednesday, April 19, 2006
Já viste o infinito do olhar?
Encosta a tua face,
tão perto quanto conseguires
perceber o respirar.
Sente a pele sem a tocares
e olha os lábios.
Centra-te na sua forma
e goza o sorriso que é teu, ali.
Observa, devagar, cada pequena ruga,
cada pequeno sinal dessa face
e passa suavemente as mãos pelo cabelo.
Os olhos que, em cada momento atrás,
foram sempre porto de partida,
são agora, finalmente, o teu repouso.
Prepara-te para suspirar num silêncio.
Fecha os teus olhos para depois admirar:
são os contornos das pestanas,
olhadas uma a uma,
e os teus dedos que queres ver passear
naquelas pálpebras.
Depois, perde-te naquele
caleidoscópio de cores invisíveis:
viste o infinito
do olhar?
Encosta a tua face,
tão perto quanto conseguires
perceber o respirar.
Sente a pele sem a tocares
e olha os lábios.
Centra-te na sua forma
e goza o sorriso que é teu, ali.
Observa, devagar, cada pequena ruga,
cada pequeno sinal dessa face
e passa suavemente as mãos pelo cabelo.
Os olhos que, em cada momento atrás,
foram sempre porto de partida,
são agora, finalmente, o teu repouso.
Prepara-te para suspirar num silêncio.
Fecha os teus olhos para depois admirar:
são os contornos das pestanas,
olhadas uma a uma,
e os teus dedos que queres ver passear
naquelas pálpebras.
Depois, perde-te naquele
caleidoscópio de cores invisíveis:
viste o infinito
do olhar?
Tuesday, April 18, 2006

Sei que o quotidiano nas sociedadees ocidentais é complicado, cheio de fragilidades e de problemas, que não deixam espaço para sorrisos.
Se repararem nas faces que se cruzam por nós, elas são espelho de preocupações e de medos.
Quantas vezes penso na última vez que cantei alto pela casa ou que troquei duas passadas de dança em frente do aspirador(e o aspirador não avariou).
Também me parece que os afectos, as emoções não trazem alegria: muitas vezes as frases escritas só mostram a dor, a saudade, a desilusão. Fernando Pessoa já dizia que o poeta é um fingidor, pelo vistos sofredor, já que até finge a dor que não sente!
Mas eu tenho tantas saudades da alegria como se ela fosse externa a mim e não o é.
Ah..como eu gosto de olhar rosto dos meus filhos pela manhã ou no final de um dia exasperante de trabalho!
Gosto de ver as brumas da manhã (quando me levanto cedo rsrs) sobre o mar.
Como gosto de me rir contigo e tocar-te com a brincadeira das palavras.
Ainda me deslumbro com as cores cores das flores, com azul imenso do mar.
E o som da musica que entra pela alma?
Sentir a pele, o cheiro e a alma da natureza.
Nada disto tem custos, nada disto precisa de mais dinheiro no banco!
Ainda invento a alegria
mas o que é verdadeiro
era senti-la minha
nascida de dentro
isso eu gostaria
Beije a alegria quando ela passa (Osho)
Sunday, April 16, 2006

Há qt tempo que não falava da Loucura!
Padre, perdoa porque acabei de colocar mais um
post.
Perdoa porque não me dediquei a boas causas
enquanto estive aqui 5 minutos a escolher mais uma foto
e a falar de poesia.
Padre perdoa porque devia ter ido à igreja e
depois devia ter ficado a falar mal da vizinha
(porque do vizinho só se fala bem).
Padre perdoa porque não estou
fazer contas a mais um subsidio
para a uma qq organização que ajuda os 'pobrezinhos'.
Padre perdoa, porque declaro o meu IRS pela Internet e
pago os meus impostos do mesmo modo.
Deus perdoa a humanidade.
Vou fazer uma festa ao meu cão: espero que não seja pecado!
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Andersen
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Andersen
Wednesday, April 12, 2006

Hoje não há escuridão
na noite profunda,
não há medos!
Os olhares perdem-se
em tempestade
de azul e de desejo revolto
beijam-se as bocas
em cada palavra dita
e os corpos
prometem-se eternos,
naquele momento.
Olha-se o céu
e hoje, lua plena
não há teatro,
não há cena,
só desliza suavemente
sobre a pele, o cetim
do véu
Tuesday, April 11, 2006

O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
Monday, April 10, 2006

Olhei-te por de entre as cores do campo
quando o orvalho as tornava mais brilhantes.
As brumas da manhã acariciavam os sapais
e o som das ondas ouvia-se ao longe.
Não, não existia essa paisagem
quando me passaste ao lado e estremeci.
Também não olhei para trás quando te vi.
Mas um dia, permanecemos juntos até ao fim do tempo e
um dia parti:
...eu não existo
sou o reflexo de uma luz que não é minha e
pairo no céu, presa em milhares de estrelas...
mas morro, a cada instante,
sobre a terra molhada,
ouvindo a força do mar
e sentindo a tempestade da trovoada.
Sunday, April 09, 2006
Learning to fly
(Pink Floyd)
Into the distance a ribbon of black
Stretched to the point of no turning back
A flight of fancy on a windswept field
Standing alone my senses real
A fatal attraction holding me fast how
Can I escape this irresistible grasp?
Can't keep my eyes from the circling skies
Can't keep my eyes from the circling skies
Tongue tied and twisted
Just an earth bound misfit, I
Friday, April 07, 2006
Metade
E que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos nem a boca.
Porque metade de mim é o grito,
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que tristeza.
Que o homem que eu amo seja prá sempre amado,
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,como a única coisa
que resta a uma mulher inundada de sentimento.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim
é o que penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste,
Que o convívio comigo
mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto
o doce sorriso que me lembre a liberdade da infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia,
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...também
Vinícius de Morais
E que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos nem a boca.
Porque metade de mim é o grito,
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que tristeza.
Que o homem que eu amo seja prá sempre amado,
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,como a única coisa
que resta a uma mulher inundada de sentimento.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim
é o que penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste,
Que o convívio comigo
mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto
o doce sorriso que me lembre a liberdade da infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia,
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...também
Vinícius de Morais
Thursday, April 06, 2006
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