Everyone is a moon, and has a dark side which he never shows to anybody... Mark Twain
Saturday, June 30, 2007
Thursday, June 14, 2007

COLUMBINA – Estou então entre dois fogos?
PIERROT (avança um passo, com ambas as mãos no peito) – O do meu coração, Columbina!
MEFISTÓFELES (avança também um passo, dobra-se numa leve reverência) – Columbina..., o do meu desejo.
COLUMBINA – Sois perseverantes, vejo-me reduzida a ouvir-vos. Já é um triunfo vosso. Ainda bem que sois dois, um neutralizará o outro. (Puxa de uma cadeira, senta-se a meio da cena, voltada para o público.) Vem cá Pierrot! (Pierrot, de salto, vem cair a seus pés) Vem também, Mefistófeles! (Mesfistófeles adianta-se com aprumo e graça, pára a seu lado, espera.) E agora divirtam-me! conquistem-me! façam-me esquecer que me obrigam a ouvi-los.
PIERROT e MEFISTÓFELES (a um tempo) – Quando aqui entrei Columbina... (Calam-se ambos, entreolham-se; cada um espera que o outro prossiga. Silêncio breve.)
COLUMBINA – Não comecem por falar ambos a um tempo! e não principiem assim. Que vão dizer-me? O comum: «Quando aqui entrei, Columbina, não supunha vir encontrar...» Ou então: «Quando entrei, Columbina, já trazia a certeza de vir encontrar...» Pelo amor de Deus! lembrem-se que sou uma rapariga mais ou menos moderna.
PIERROT – Eu não ia dizer isso, Columbina.
COLUMBINA – Apostamos que sim?
MEFISTÓFELES – Veio-te à cabeça que o dissesse eu?
PIERROT – Bem, Columbina: é verdade! Eu ia dizer: «Quando aqui entrei, Columbina, já sabia que me aconteceriam grandes coisas...»
COLUMBINA – Aconteceram, Pierrot?
PIERROT – Encontrei-te, minha Columbina.
COLUMBINA – Vês? Caíste na cilada.
PIERROT – Também a não evitei, Columbina.
COLUMBINA – Mas porquê? Por que disseste exactamente o que eu queria... isto é: o que eu receava que dissesses? Não sabes nada menos repetido?
PIERROT – As palavras mais repetidas podem tornar-se novas. Toda a gente as diz, quase ninguém as sente.
COLUMBINA – Ninguém! Só tu.
PIERROT – Sou poeta, Columbina. Descubro a virgindade das coisas gastas.
COLUMBINA (para Mefistófeles) – Socorre o teu amigo, Mefistófeles! Pierrot está em grande perigo.
PIERROT – Em grandes perigos. A qual te referes?
MEFISTÓFELES – Não sou amigo de Pierrot. Não o conheço.
PIERROT (imediatamente) – Não sou amigo de Mefistófeles; nem pretendo conhecê-lo.
MEFISTÓFELES – Só perdes. Tenho algum interesse.
PIERROT – Talvez também tu percas. E a falar verdade, não me parece que tenhas grande interesse.
MEFISTÓFELES – Estás a ser pouco amável, Pierrot. Não é uso, cá na roda, tratar-se um rival com essa falta de cortesia.
PIERROT – Quem te diz que pretendo aprender os costumes da tua roda?
MEFISTÓFELES – Sou mais gentil do que tu: Não quero crer que os ignores. (?)
COLUMBINA – Mas tem graça!: estamos aqui os três sem nos conhecermos. Tanto melhor... assim nos podemos interessar uns pelos outros. Que interesse podem ter as pessoas conhecidas?
in, as Três Máscaras de José Régio
Tuesday, June 12, 2007
Saturday, June 09, 2007
We got a thing goin'on
We both know that it's wrong
But it's much too strong
To let it go now
We meet every day at the same cafe
Six-thirty and no one knows she'll be there
Holding hands, making all kinds of plans
While the juke box plays our favorite songs
Me and Mrs.Jones
We got a thing goin'on
We both know that it's wrong
But it's much too strong
To let it go now
We gotta be extra careful
That do we don't build our hopes up too high
Because she's got her own obligations
And so, and so, do I
Me and Mrs.Jones
We got a thing goin'on
We both know that it's wrong
But it's much too strong
To let it go now
Well, it's time for us to be leaving
It hurts so much, it hurts so much inside
Now she'll go her way snd I'll go mine
Tomorrow we'll meet
The same place, the same time
Me and Mrs.Jones
We got a thing goin'on
We both know that it's wrong
But it's much too strong
To let it go now
Saturday, May 19, 2007
Tuesday, May 15, 2007
Suddenly appear?
Everytime you are near
Just like me
They long to be
Close to you
Why do stars
Fall down from the sky?
Everytime you walk by
Just like me
They long to be
Close to you
on the day that you were born
The angels got together and decided
To create a dream come true
So they sprinkled moondust in your hair
Of gold and starlight in your eyes of blue
that is why all the girls in town
Follow you all around
Just like me
They long to be
Close to you
Just like me
They long to be
Close to you
Saturday, May 12, 2007
Sentado debaixo da bela olaia, repleta de flores roxas, observava os campos verdes que se espraiavam em frente do seu olhar cansado. Os olhos, que antes eram de um castanho vivo e intenso tinham agora uma auréola azulada em redor da pupila.
Era um homem alto, ainda forte, mas as costas estavam já curvando-se ao peso dos anos. A bengala já era quase a sua melhor amiga para o trazer ao mundo que existia fora das quatro paredes do seu monte.
Naquele final de um dia de Primavera o Sol ainda brilhava quente.
Amanhã vai estar outro dia de calor, pensou quando percebeu o céu azul mesclado de laranja.
Os dias de Inverno eram penosos porque o obrigavam a manter-se em casa, que ele partilhava com um rafeiro descendente de perdigueiro. Três sobrinhos, os parentes mais próximos, moravam a quase 10 quilometros de distância. Maior distância, nem quantificável, era a dos afectos que nutriam mutuamente.
Tinham conseguido um acordo com a Misericórdia local e as suas consciências tinham ficado serenas quando conseguiram que uma mulher fosse prestar dia sim, dia não a assistência ao tio. Fazia-lhe uma limpeza apressada à casa, tratava-lhe da roupa, preparava-lhe as refeições do dia e deixava alinhavadas as outras.
Ainda não tinha grandes problemas de saúde e para além dos remédios para a pressão arterial elevada e para as artroses que lhe atacavam sobretudo os joelhos, este homem não precisava de outros cuidados.
Recebia, de vez em quando, a visita do compadre, pai do afilhado que não via há mais 20 anos porque tinha emigrado para a Austrália. O homem vinha com mais boa vontade ajuda-lo a passar as horas do que ele a recebê-lo. O sacrifício das palavras forçadas era maior do que o da ausência de gente.
Frequentemente se lembrava da frase de uma mulher que lhe tinha passado pelas mãos, tocado ao de leve no coração mas nunca lhe alcançado a alma: gosto de estar sozinha porque consigo viver bem comigo.
Também ele, resolvidas as dúvidas sobre o objectivo da sua existência e das procuras nunca alcançadas, aprendeu a gostar de estar consigo.
Continuava de olhar fechado, sentindo a brisa que lhe trazia o cheiro da alfazema. Os barulhos da natureza assumiam uma densidade que invadia o corpo e lhe provocava um relaxamento imenso.
Sentiu um leve toque no ombro. O seu corpo estremeceu, não tanto pelo medo que não teve sequer tempo de se instalar mas pela surpresa da presença.
Abriu os olhos e viu uma mulher com uma criança pela mão.
A face pareceu-lhe familiar. Os cabelos castanhos, pelos ombros, enquadravam uma face comprida onde um olhar castanho esverdeado lhe sorria discretamente.
Bom dia, ouviu num espanhol aportuguesado, e sem que o deixasse sequer responder ao cumprimento acrescentou apressada:
Lamento o incómodo mas seria possível dar-me um copo com água para o meu filho? Andamos em passeio, não trouxe nada e ele queixou-se com sede. Como vi esta casa. Desculpe-me o atrevimento!
O homem assentou ligeiramente com a cabeça e fez o movimento de se levantar. Os passos longos e lentos encaminharam-no para a porta e antes de entrar olhou para trás e sugeriu que ela entrasse.
Obrigada, mas podemos esperar aqui, sorriu a mulher.
Até a voz lhe era familiar. Um timbre suave mas imperativo.
A memória, traiçoeira, trouxe-lhe a espanhola por quem um dia, há muitas luas atrás, se perdeu de amores.
Cruzou-se com ela em Rosal de la Frontera porque fazia parte de um grupo de espanholas conhecidas de um camarada de tropa. Quando a olhou sentiu uma imensa vontade em ficar com ela. E ficou!
Entre brigas de posse e momentos de serenidade organizaram os trapos e a vida.
Não casaram mas ela instalou-se na sua casa, na sua cama e no seu coração.
Briguenta e salerosa, animava-lhe os dias com conversas expontâneas e afectividades assumidas.
Achava-lhe graça, nunca lho disse mas ela sabia-o.
Um dia, correu para ele com uma carta na mão.
Vou a Sevilha, o meu primo que emigrou para França vem de férias à Andaluzia e eu quero visita-lo, disse ela alegre e saltitante.
Ainda se lembra de ter ficado paralisado sem saber o que responder.
Ainda se lembra de ter ficado espantado por ela ter decidido ir sem o consultar.
Ainda se lembra de ter registado o facto dela não fazer alusão à sua companhia.
Deixou-a partir sem lhe fazer notar a mágoa e os dias seguintes foram arrumados entre indecisões e certezas.
Recebeu uma carta que hesitou em abrir mas contrariado com a sua fraqueza acabou por saber que a espanhola tinha chegado bem, que o calor a tinha feito desmaiar na Plaza Mayor e que o bendito do primo tinha alugado uma casa com jardim interior e janelas engalanadas de ferro forjado ainda do tempo da guerra civil. Tudo muito bonito e até a madresita iria juntar-se à família para comemorar.
Carinõ, te amo! acabou ela a missiva.
Ele encolheu os ombros quando se findou o texto.
Um dia, a decisão acordou com ele e sentado no beiral da casa, traçou uma cruz no chão de terra batida. Depois, arrumou duas malas com os seus pertences mais pessoais, fechou as janelas e as portas, carregou a cruz às costas e partiu para Norte.
Soube que ela o procurou. Soube que ela não soube onde ele estava e soube que ela partiu surpresa e triste. Deixou de saber dela porque a tal se obrigou mas nunca conseguiu afastar a silenciosa presença da sua memória mais profunda.
Nós vivemos em Malaga, sou casada com um português que me tem mostrado o vosso país, explicou a jovem mulher enquanto esperava pela água.
O homem rodou sobre o tronco e estendeu-lhe o copo com a água.
Obrigada, sorriu agradecida, até um dia!
Deu dois passos e ainda se voltou para exclamar:
A minha mãe tinha um carinho muito grande por esta terra. Dizia-me que aqui a cheiro da alfazema decora os nossos sentidos nos finais de dia de Primavera!
O homem sorriu, o olhar brilhou e levantou a mão para dizer um adeus.
Depois voltou-se no sentido contrário e quando os olhos poisaram de novo sobre a natureza sentiu que os campos verdes com cheiro de alfazema também podem ser desertos imensamente áridos.
Com as costas da mão afastou duas lágrimas que teimavam em marcar-lhe a cara.
Thursday, May 03, 2007
Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Mafalda Veiga
Tuesday, April 24, 2007
Cavalo à solta
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
Porque é Abril!
Porque a primavera da liberdade também foi feita pelas letras deste homem!
Sunday, April 15, 2007

Hoje não tenho sono!
Na semana passada aconteceu haver algumas noites em que também nao tive sono quando as horas já eram altas. Já na outra semana anterior assim foi!
Quando viajo fico assim!
A ansia de partir não me deixa sossegar os sentidos.
Como não vou fazer nenhuma viagem, daquelas, fisicas...de comboio, de avião ...
Será que sabes do que vou fugir?
Pois...
Friday, April 13, 2007
Sete pedaços de vento
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
Na vontade de ser tua
Quero ser
Eu sou assim
Sete pedaços de vento
Sete vozes no jardim
No jardim que eu própria invento
Sete ares de nostalgia
Sete perfumes diversos
Nos cristais da fantasia
Amante de amores dispersos
Sete gritos por gritar
Sete silêncios viver
Sete luas por brilhar
E um céu para me acontecer
Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
cantado por Cristina Branco
Thursday, April 05, 2007
Where there used to be rain
My yesterday was blue
Today I'm a part of you
My lonely nights are through
Since you said you were mine
Oh, what a difference a day made
There's a rainbow before me
Skies above can't be stormy
Since that moment of bliss
That thrilling kiss
It's heaven when you find romance on the menu
What a difference a day made
And the difference was you.
Saturday, March 31, 2007
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Monday, March 26, 2007
If you need me
Why don't you call me
Said if you need me
Why don't you call me
Don't wait too long
When things go wrong
I'll be there, yeah
Where I belong
Said if you want me
Why don't you send for me
Said if you want, want, want
All you gotta do is send for me
Don't wait to long
Just a pick up your phone
I'll be there
Right there, where I belong
People always told me, darling
That you didn't mean me no good
But I know deep down in my heart
I done the best I could
And one of these days, darling
It won't be long
You're gonna come walking through that door
And I know in my mind these are the very
I still love you
Always thinking of you
I still love, love, love
Always thinking of you
Don't wait too long
When things go wrong
I'll be there, right there
Where I belong
ah..já clicaram no alho francês?!
e agora não se esqueçam que, hoje dia Mundial do Teatro...
"Todos somos chamados, pelo menos uma vez na vida, a desempenhar um papel que nos supera. É nesse momento que justificamos o resto da vida, perdida no desempenho de pequenos papéis indignos do que somos"...
Felizmente há luar! Luis S. Monteiro
Thursday, March 08, 2007
Não conseguia parar mesmo que o corpo assim pedisse e lembrou-se da letra de uma canção do Variações: sou estou bem onde não estou!
Aquele local fez com que as memórias, escondidas há tantos anos, chegassem à flor da pele! Lembrou-se de um copo numa mão de um homem encostado a um balcão.
Foi isso mesmo! - recordou quando semicerrou o olhar para que a lembrança fosse mais real. Foi o copo quieto, com uma bebida quieta, preso num corpo quieto encostado a um balcão de bar, numa noite qualquer de verão.
Tanta gente que ali estava e o olhar resolveu descansar ali.
E depois?! Depois, o caminho mudou, tal como muda o trajecto de dezenas de pessoas quando o agulheiro faz o movimento mágico de mexer nos carris para orientar o comboio.
Que momento estranho aquele! - pensou agora, quando os passos pararam no mesmo local.
Olhou o balcão mas não o viu o copo, nem a mão, nem o homem mas sentiu-lhe o cheiro e o sabor da boca. O mar era o azul de um olhar perdido.
Suspirou, sentiu, tremeu e colocou os óculos escuros: o Sol fazia reflexo nas águas dos olhos!
Wednesday, February 28, 2007
O diálogo do eu ou o monólogo a dois
Devagarinho, o tempo foi aprisionando as vontades.
Hoje quando paro o olhar no horizonte questiono-me porque nos estamos esgotando.
Sabes que, quando gostamos de uma música, ouvimo-la incessantemente durante muitos minutos em quase todas as horas. Um dia, numa semana qualquer, percebemos que já não procuramos aquele CD para escolher aquela faixa.
Achas que estou a ser cruel, comparando o amor a uma canção?
Olha, estou vendo aquela mulher de olhos brilhantes, dizendo-me que há melodias eternas. Vou-lhe perguntar quantas vezes ela sente saudades de as ouvir. Ela não me soube responder!
Não olhes para baixo, não desvies o olhar da dúvida!
Porque me procuras tanto para esgotares a vontade de queres estar?




