Everyone is a moon, and has a dark side which he never shows to anybody...
Mark Twain
Wednesday, February 28, 2007
O diálogo do eu ou o monólogo a dois
Devagarinho, o tempo foi aprisionando as vontades.
Hoje quando paro o olhar no horizonte questiono-me porque nos estamos esgotando.
Sabes que, quando gostamos de uma música, ouvimo-la incessantemente durante muitos minutos em quase todas as horas. Um dia, numa semana qualquer, percebemos que já não procuramos aquele CD para escolher aquela faixa.
Achas que estou a ser cruel, comparando o amor a uma canção?
Olha, estou vendo aquela mulher de olhos brilhantes, dizendo-me que há melodias eternas. Vou-lhe perguntar quantas vezes ela sente saudades de as ouvir. Ela não me soube responder!
Não olhes para baixo, não desvies o olhar da dúvida!
Porque me procuras tanto para esgotares a vontade de queres estar?
Wednesday, February 21, 2007
Clair de Lune
Debussy
Monday, February 12, 2007
Quando chegaste enfim, para te ver Abriu-se a noite em mágico luar; E para o som de teus passos conhecer Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...
Chegaste, enfim! Milagre de endoidar! Viu-se nessa hora o que não pode ser: Em plena noite, a noite iluminar E as pedras do caminho florescer!
Beijando a areia de oiro dos desertos Procurara-te em vão! Braços abertos, Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!
E há cem anos que eu era nova e linda!... E a minha boca morta grita ainda: Por que chegaste tarde, ó meu Amor?!...
Florbela Espanca
Saturday, February 10, 2007
Hide in your shell cos the world is out to bleed you for a ride What will you gain making your life a little longer? Heaven or hell, was the journey cold that gave your eyes of steel? Shelter behind painting your mind and playing joker
Too frightening to listen to a stranger Too beautiful to put your pride in danger Youre waiting for someone to understand you But youve got demons in your closet And youre screaming out to stop it Saying lifes begun to cheat you Friends are out to beat you Grab on to what you scramble for
Dont let the tears linger on inside now Cos its sure time you gained control If I can help you, if I can help you If I can help you, just let me know Well, let me show you the nearest signpost To get your heartback and on the road If I can help you, if I can help you If I can help you, just let me know.
All through the night as you like awake and hold yourself so tight What do you need, a second-hand-movie-star to tend you? I as a boy, I believed the saying the cure for pain was love How would it be if you could see the world through my eyes?
Too frightening- the fires getting colder Too beautiful- to think youre getting older Youre looking for someone to give an answer. But what you see is just an illusion Youre surrounded by confusion Saying lifes begun to cheat you Friends are out to beat you Grab on to what you can scramble for Dont let teh tears... ... just let me know I wanna know... I wanna know you... Well let me know you I wanna feel you I wanna touch you Please let me near you Can you hear what Im saying? Well Im hoping, Im dreamin, Im prayin I know what youre thinkin See what youre seein Never ever let yourself go
Hold yourself down, hold yourself down Why dya hold yourself down? Why dont you listen, you can Trust me, Theres a place I know the way to A place there is need to feel you Feel that youre alone Hear me I know exactly what youre feelin Cos all your troubles are whithin you Please begin to see that Im just bleeding to Love me, love you Loving is the way to Help me, help you - why must we be so cool, oh so cool,? Oh, were such damn fools...
Sunday, January 21, 2007
E SE A ALMA TE REPROVA
Faz meu nome teu amor e amor E amas-me então pois eu te chamo Ardor. Se a alma te reprova e eu venha perto, Jura à cega, que o teu amor eu fosse, Ardor tem, como saber, sitio certo, E assim me enchas, amor, medida doce. Ardor enche de ardor e amor, teu cofre, Ai, lardeia-o de ardor, e ardor a pronto E bem prova que em vazadouro sofre: Se o numero é grande, eu só não conto. Faça o meu nome, teu amor e amor Então que eu passe em grupo sem ser visto, Sendo um nas contas dessa feitoria Tem-me em nada, se te agradar registo: De que este nada em ti é doçaria. Faz meu nome teu amor e amor E amas-me então pois eu te chamo Ardor.
Saturday, January 06, 2007
Caminho
Vou atravessando este caminho
feito de tempestades e de bonanças
com verdes e pretos,
manchado de cansaços e de esperanças.
Vou atravessando este caminho
que alguém pincelou
de gentes e de momentos,
que tatuam a minha memórias
e vou continuar a atravessar este caminho,
com o sangue dos meus medos
e a força da minha calma,
sem glórias.
Que haja sempre luz,
para que lute pelo que merece
e discernimento para abandonar
o me destrói a alma.
(aos meus filhos que transformam o meu caminho em primaveras cintilantes que iluminam o meu olhar)
Blue Blue Sky I only know what I can see So I imagine what could be Where the horizon cuts the air Look for me out there
Someday I'll touch the blue blue sky Someday I'll touch the blue blue sky
If I could kiss the Earth goodbye And cruse the never ending sky Where the horizon cuts the air Wait for me down there
Someday I'll touch the blue blue sky Someday I'll touch the blue blue sky
Alan Parsons Project
Friday, December 08, 2006
A máquina de secar as mãos
Já lhe tinham dito que andava triste. Os sorrisos aconteciam mas tinham a névoa dos olhos a acompanhá-los e assim pareciam dias de inverno: cinzentos e frios.
Naquela manhã, como nas anteriores, assolou uma tristeza mal o acordar lhe fixou o olhar no tecto. Enroscou-se debaixo do edredon quente e sentiu vontade de continuar ali, protegida do frio e do resto.
Contrariou-se e partiu para mais um dia cheio de rotinas inesperadas. Bica tomada à pressa, fazendo companhia a um sonho, ao balcão do café com nome de cidade italiana. Desde Novembro que todos os dias comia um sonho de manhã como se ao mastigar a suave massa frita conseguisse dirigir todas as outras suas vontades.
Não gostava de fazer planos, aprendeu a viver o dia à dia, sem esperar nada de especial da vida nem das pessoas. Escondia-se na piada das pequenas coisas, fingido surpreender-se e aprendeu a caminhar e a falar suavemente, dando-lhe um ar de distanciamento e de resistência.
O carro lá pegou, o rádio lá tocou, o isqueiro lá se perdeu e ela lá foi para um quarto andar de um prédio da 'city' onde um grande gabinete e um grande monte de papeis e de responsabilidades a esperavam.
Hoje que tinha querido ir tratar de arranjar quem lhe podasse as árvores, que queria ter ido acender a lareira e brincar com os cães. Hoje que lhe apetecia enrolar-se na cama com alguém, que lhe apetecia fugir mais cedo para perto do mar, não a deixavam. A agenda andava atrás dela nas mãos da secretária: é às s 11 horas ali..às 15 acolá, mas ainda tem que passar cá..no final do dia. Que merda, pensou!
Almoçou à pressa e não gostou do que ouviu. As lágrimas ainda assolaram na garganta mas foram engolidas com o pato e com o arroz. Molhou-se porque não usa chapéu de chuva, aturou 10 pessoas as masturbarem-se a uma mesa de reuniões e voltou a molhar-se a caminho da Mexicana.
Era o final de um dia extenuante mas ainda conseguiu questionar-se porque os bolos estavam num balcão e a máquina de café no balcão em frente. Sem fome, pediu uma miniatura só para observar os movimentos do empregado de mesa.
Olhou para o ambiente, achou tudo feio, incluindo a horrorosa da empregada da caixa e foi ao w.c. Cansada, sabia que aquela hora só conseguia concentrar-se em pormenores. Reparou no lavatório, em inox, num modelo avantgard oposto ao estilo e clientes do café: só mamutes! Gostou das despropositadas decorações de Natal e ainda concluiu que se houvesse ali um sofá era capaz de fumar um cigarro!
Mas o desencanto completo do dia estava ali a dois segundos quando o olhar rodou com as mãos molhadas, procurando as toalhas e encontrou o secador das mãos.
Detestava secadores de mãos, o barulho absurdo, o calor exagerado e aquela posição de mãos que parece que esperam as algemas. O desespero subiu tão alto que concentrou todos desencantos das últimas horas.
Saiu, pensando no poder dos pormenores. Suspirou: a leoa da savana agora queria mesmo ser só de peluche e encontrar uma almofada.
Sunday, December 03, 2006
One note samba
This is just a little samba, Built upon a single note Other notes are bound to follow, But the root is still that note Now this new one is the consequence, Of the one we've just been through As i'm bound to be the unavoidable consequence of you There's so many people who can talk And talk and talk and just say nothing, Or nearly nothing I have used up all the scale i know, and at the end i've come to nothing, Or nearly nothing So i come back to my first note, As i must come back to you I will pour into that one note, All the love i feel for you Anyone who wants the whole show, Re mi fa sol la si do He will find himself with no show, Better play the note you know Tom Jobim
Friday, December 01, 2006
Hoje deixo-vos a Etta James! Todos se lembram da I just wanna make love with you, de 1995, escolhida para o spot publicitário da Coca Cola.
Esta senhora, poderosa, dos R&B, nasceu, e ainda bem, em 1938 e ainda continua a cantar. Este ano foi editado All the Way.
Aqui fica um video com a voz dela e fotos de Man Rain...A musica é do seu primeiro album, de 1961, At Last. comentário 1 : Que pena serem tantas fotos de mulheres nuas, em vez de homens! rs*
comentário 2 : Não se choquem os mais púdicos, a impressão é só estetica!
Aqui fica um beijo da Lua
Wednesday, November 29, 2006
Há imagens que nos fazem lembrar a magia! Até lembrei da Fada Oriana, da Sophia, e fui buscar um excerto. Ah..se a vida fosse assim tão simples, tão dual! Possivelmente tambem morreríamos de tédio porque o prazer da simplicidade deve estar no facto de nos excedermos na complexidade. Bem...vamos às fadas e aos duendes!
Fadas Boas e Fadas Más Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más.
As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.
As fadas boas regam as flores com orvalho, acendem o lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos, e à noite põem moedas de oiro dentro dos sapatos dos pobres.As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam dinheiro aos pobres.Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar.Quando uma fada má vê uma árvore cheia de folhas, de flores e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.
Sophia de Mello Anderson
Sunday, November 26, 2006
You Are Welcome To Elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar do mais fundo de nós o mais útil segredo entre nós e as palavras há perfis ardentes espaços cheios de gente de costas altas flores venenosas portas por abrir e escadas e ponteiros e crianças sentadas à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos há palavras de vida há palavras de morte há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar há palavras acesas como barcos e há palavras homens, palavras que guardam o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente, as mãos e as paredes de Elsenor E há palavras noturnas palavras gemidos palavras que nos sobem ilegíveis à boca palavras diamantes palavras nunca escritas palavras impossíveis de escrever por não termos conosco cordas de violinos nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar e os braços dos amantes escrevem muito alto muito além do azul onde oxidados morrem palavras maternais só sombra só soluço só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar Mário Cesariny ...para quem o tempo acabou...ficam as palavras escritas numa eternidade esperada
Wednesday, November 22, 2006
Por mais que procure o silêncio da paz, Não encontro! Mergulho constantemente no turbilhão das emoções, que nem eu desvendo e deixo-me ir enganosamente serena, queimando os pés no gelo dos dias.
(…) Sou eu mesma, como vedes; sim, sou eu aquela verdadeira dispenseira de bens, a que os italianos chamam Pazzia e os gregos Mória. E que necessidade havia de vo-lo dizer? O meu rosto já não o diz bastante? Se há alguém que desastradamente se tenha iludido, tomando-me por Minerva ou pela Sabedoria, bastará olhar-me de frente, para logo me conhecer a fundo, sem que eu me sirva das palavras que são a imagem sincera do pensamento. Não existe em mim simulação alguma, mostrando-me eu por fora o que sou no coração. Sou sempre igual a mim mesma, de tal forma que, se alguns dos meus sequazes presumem não passar por tais, disfarçando-se sob a máscara e o nome de sábios, não serão eles mais do que macacos vestidos de púrpura, do que burros vestidos com pele de leão. Qualquer, pois, que seja o raciocínio feito para se mostrarem diferentes do que são, dois compridos orelhões descobrirão sempre o seu Midas.(…)
in Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdão
Thursday, November 09, 2006
Tuesday, November 07, 2006
Se tu viesses ver-me Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços…
Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca… o eco dos teus passos… O teu riso de fonte… os teus abraços… Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca… Quando os olhos se me cerram de desejo… E os meus braços se estendem para ti… Florbela Espanca
Sunday, November 05, 2006
ROMANCE DE LA LUNA a Conchita García Lorca
La luna vino a la fragua con su polisón de nardos. El niño la mira mira. El niño la está mirando.
En el aire conmovido mueve la luna sus brazos y enseña, úbrica y pura, sus senos de duro estaño.
Huye luna, luna, luna. Si vinieran los gitanos, harían con tu corazón collares y anillos blancos.
Niño déjame que baile. Cuando vengan los gitanos, te encontrarán sobre el yunque con los ojillos cerrados.
Huye luna, luna, luna, que ya siento sus caballos. Niño déjame, no pises, mi blancor almidonado.
El jinete se acercaba tocando el tambor del llano. Dentro de la fragua el niño, tiene los ojos cerrados.
Por el olivar venían, bronce y sueño, los gitanos. Las cabezas levantadas y los ojos entornados.
¡Cómo canta la zumaya, ay como canta en el árbol! Por el cielo va la luna con el niño de la mano.
Dentro de la fragua lloran, dando gritos, los gitanos. El aire la vela, vela. el aire la está velando.
Federico García Lorca, 1928
Sunday, October 29, 2006
Que hei-de eu fazer Eu tão nova e desamparada Quando o amor Me entra de repente P´la porta da frente E fica a porta escancarada
Vou-te dizer A luz começou em frestas Se fores a ver Enquanto assim durares Se fores amada e amares Dirás sempre palavras destas
P´ra te ter P´ra que de mim não te zangues Eu vou-te dar A pele, o meu cetim Coração carmesim As carnes e com elas sangues
Às vezes o amor No calendário, noutro mês, é dor, é cego e surdo e mudo E o dia tão diário disso tudo
E se um dia a razão Fria e negra do destino Deitar mão À porta, à luz aberta Que te deixe liberta E do pássaro se ouça o trino
Por te querer Vou abrir em mim dois espaços P´ra te dar Enredo ao folhetim A flor ao teu jardim As pernas e com elas braços
Às vezes o amor No calendário, noutro mês, é dor, É cego e surdo e mudo E o dia tão diário disso tudo Mas se tudo tem fim Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim Dá princípio ao começo Se morreres só te peço Da morte volta sempre em vida
Às vezes o amor No calendário, noutro mês é dor, É cego e surdo e mudo E o dia tão diário disso tudo Da morte volta sempre em vida Sérgio Godinho, Ligação directa