Wednesday, November 29, 2006
















Há imagens que nos fazem lembrar a magia!
Até lembrei da Fada Oriana, da Sophia, e fui buscar
um excerto.
Ah..se a vida fosse assim tão simples, tão dual!
Possivelmente tambem morreríamos de tédio porque o prazer da simplicidade
deve estar no facto de nos excedermos na complexidade.
Bem...vamos às fadas e aos duendes!

Fadas Boas e Fadas Más
Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más.
As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.
As fadas boas regam as flores com orvalho, acendem o lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos, e à noite põem moedas de oiro dentro dos sapatos dos pobres.As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam dinheiro aos pobres.Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar.Quando uma fada má vê uma árvore cheia de folhas, de flores e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.
Sophia de Mello Anderson

Sunday, November 26, 2006


You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mário Cesariny


...para quem o tempo acabou...ficam as palavras escritas numa eternidade esperada

Wednesday, November 22, 2006

















Por mais que procure o silêncio da paz,
Não encontro!
Mergulho constantemente no turbilhão
das emoções,
que nem eu desvendo
e deixo-me ir enganosamente serena,
queimando os pés no gelo dos dias.

Sunday, November 12, 2006

Stultitiae Laus




(…) Sou eu mesma, como vedes; sim, sou eu aquela verdadeira dispenseira de bens, a que os italianos chamam Pazzia e os gregos Mória. E que necessidade havia de vo-lo dizer? O meu rosto já não o diz bastante? Se há alguém que desastradamente se tenha iludido, tomando-me por Minerva ou pela Sabedoria, bastará olhar-me de frente, para logo me conhecer a fundo, sem que eu me sirva das palavras que são a imagem sincera do pensamento. Não existe em mim simulação alguma, mostrando-me eu por fora o que sou no coração. Sou sempre igual a mim mesma, de tal forma que, se alguns dos meus sequazes presumem não passar por tais, disfarçando-se sob a máscara e o nome de sábios, não serão eles mais do que macacos vestidos de púrpura, do que burros vestidos com pele de leão. Qualquer, pois, que seja o raciocínio feito para se mostrarem diferentes do que são, dois compridos orelhões descobrirão sempre o seu Midas.(…)

in Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdão

Thursday, November 09, 2006

Tuesday, November 07, 2006


















Se tu viesses ver-me

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…
Florbela Espanca

Sunday, November 05, 2006

ROMANCE DE LA LUNA
a Conchita García Lorca


La luna vino a la fragua
con su polisón de nardos.
El niño la mira mira.
El niño la está mirando.

En el aire conmovido
mueve la luna sus brazos
y enseña, úbrica y pura,
sus senos de duro estaño.

Huye luna, luna, luna.
Si vinieran los gitanos,
harían con tu corazón
collares y anillos blancos.

Niño déjame que baile.
Cuando vengan los gitanos,
te encontrarán sobre el yunque
con los ojillos cerrados.

Huye luna, luna, luna,
que ya siento sus caballos.
Niño déjame, no pises,
mi blancor almidonado.

El jinete se acercaba
tocando el tambor del llano.
Dentro de la fragua el niño,
tiene los ojos cerrados.

Por el olivar venían,
bronce y sueño, los gitanos.
Las cabezas levantadas
y los ojos entornados.

¡Cómo canta la zumaya,
ay como canta en el árbol!
Por el cielo va la luna
con el niño de la mano.

Dentro de la fragua lloran,
dando gritos, los gitanos.
El aire la vela, vela.
el aire la está velando.

Federico García Lorca, 1928

Sunday, October 29, 2006



Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada

Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas

P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo

E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino

Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida

Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida
Sérgio Godinho, Ligação directa

Sunday, October 22, 2006

Instantes que recolhi de uma viagem à Noruega


Friday, October 20, 2006

Não sabes que....?

gosto de olhar as crias
e de perder-me de amor por elas
gosto do azul da terra
e de fogo na lareira
gosto de fruta com sumo
e da chuva nas janelas
gosto do cheiro de terra molhada
e da pele morena de verão
gosto do livro aberto
e do amor de fogueira
gosto do cheiro da terra
e de histórias de fadas
gosto da força do mar
e das ondas no paredão
gosto da imensidão do azul
e da lua feiticeira
gosto do riso aberto
e de piscar-te o olho
gosto do vinho no copo
e dos pés em cima da cadeira
gosto de flores na terra
e das estrelas no céu
gosto da flanela no Inverno
e de pé descalço no verão
gosto de morder-te os lábios
e de beber a água na fonte
gosto do riso aberto
e da paz do silêncio
gosto do preto e do branco
e no colo, o meu cão
gosto de tacão alto
e do perfume da alfazema
gosto da tua pele
e das tuas maos longas
gosto de olhar os rostos
e de quem aceita os seus medos
gosto de moinhos de água
e dos ventos de monção
gosto da musica da noite
e das luzes da cidade
gosto do rei de copas
e de heroinas de espadachim
gosto do vinho morno
e da cor da paixão
gosto de café amargo
e dos teus beijos doces
gosto de dormir na areia
e de enrolar-me a ti
ainda não sabes nada de mim?!

Tuesday, October 17, 2006




















A Lua (dizem os ingleses),
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.
Fernando Pessoa

Sunday, October 15, 2006

Pronto, deu-me para isto! A loucura também não precisa de explicação!!!

Saturday, October 14, 2006























Quantas noites frias
a tua ausência me despiu
e gelou
sem poder tocar-te
na pele macia
que me vestiu
desde que nasci.
São, ainda, as tuas mãos
que agarro
quando o chão que piso
é feito de água
Não choro,
não morri
não estremeço
e não me amarro
mas fecho os olhos
e vejo-te
porque hoje voltaste
a estar aqui
minha mãe, meu amor,
minha mágoa.

Saturday, October 07, 2006

Que me perdoe o autor deste vídeo, descoberto por acaso no YT, mas não resisti em trazer para o meu canto estes recortes de uma saudosa NY e ...a musica é deliciosa....

Thursday, October 05, 2006






















Para ti

Para ti que vais comigo agora,
neste pedaço de caminho,
abro minhas mão,
minhas lágrimas e os meus risos
e me atormento no corpo
para descansar no teu carinho

Para ti que vais comigo agora,
neste pedaço de tempo ,
trouxe duas estrelas de onde vim.
Guarda-as junto à tua noite
porque, quando chegar o momento,
uma te pedirei para mim.

Sunday, October 01, 2006


















valsa dos amantes

há um sorriso pequeno
nos labios que amei
faz tempo que te não via
e ao ver-te pensei
estás mudada,
estou mudado
e dos jovens que um dia
se amaram nasceu este fado
há um sorriso pequeno
no homem que eu sou
iniciamos o amor
quando o amor nos chegou
não me esqueço,
não te equeças que
inocentes, escondidos,
escondemos o amor feito às pressas
não penses que te vejo
como outrora,
a vida esgota a vida
hora a hora
o tempo gasta o tempo
e marca a gente
o espelho mostra
como eu estou diferente,
não estou novo
não sou novo
mas não peças que a vida
te apague do fundo de mim
Jorge Fernando

Wednesday, September 27, 2006






















Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade

Monday, September 11, 2006



















Dá-me um toque de mão
e mostra-me a terrra molhada.
Leva-me descalça pelo caminho
até que a noite seja madrugada.
Dá-me o fruto que colheres da árvore
e molha-me com a água da fonte.
Ensina-me a olhar o céu
e a respirar-te no silêncio.
Leva-me a ouvir as ondas
e faz o meus pés chegarem ao mar.
Deixa-me enrolar no teu colo e
conta-me uma história encantada.
Apaga a luz e vem,
vem comigo...
Dá-me coisas simples
porque estou tão cansada!

Friday, September 08, 2006




















HELP ME MAKE IT THROUGH THE NIGHT

Take the ribbons from my hair shake it loose and let it fall
Laying soft against your skin like the shadows on the wall
Come and lay down by my side till the early morning light
All I'm taking is your time help me make it through the night

I don't care who's right or wrong and I won't try to understand
Let the devil take tomorrow Lord tonight I need a friend
Yesterday is dead and gone and tomorrow's out of sight
And it's sad to be alone help me make it through the night
(Kris Kristofferson)

Thursday, September 07, 2006



Como posso afastar os olhos de ti

Lua cheia de magia?

Ah..como essa luz branca, imensa

Inebria!