Monday, June 01, 2009

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus
(Eugénio de Andrade)


É impossível não encontrar as palavras dos poetas!


Sunday, May 17, 2009


Estou voltando!

Wednesday, December 19, 2007

(...)
Da árvore nascia um brilho maravilhoso que pousava sobre todas as coisas.
Era como se o brilho de uma estrela se tivesse aproximado da Terra.
Era o Natal. E por isso uma árvore se cobria de luzes e os seus ramos se carregavam de extrordinários frutos em memória da alegria que, numa noite muito antiga, se tinha espalhado sobre a Terra (...)
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'A noite de Natal'

Tuesday, November 27, 2007

(De uma estação ausente - foto de negateven)
26 de julio, amiga del corazón.
Asfixiado por el polvo y el silencio,
entre la reja y la ventana que se asoman poco a poco
a mi pasadoy a esta celda, me han traído tu carta, compañera.
Asfixiante, trabajosa, amargamente sincera.
Y lo entiendo, quiero que sepas que lo entiendo.
Entiendo que en la calle y en la vida no hay lugar para la espera,
que las entrañas te laten y necesitan otro que las desate.
No te culpo, compañera. No tengo ya con qué.
Ni siquiera puedo recordar muy claramente ni el portal de tu casa ni tu calle.
Me viene así, de tarde en tarde, como una brisa descalza de tu boca,
de tu boca callada y anhelante,
de tu abrazo y de tu mano,
de tu tallede tu forma de amar, amante.
(cantado)
Hay qué ver, cómo era.
Era la mar tu calle, y tu olor, el aire;
tu portal, mi puerto,y yo, tu navegante.
Hay qué ver, cómo era.
Era el sol tu boca;tus palabras, brisa;
cualquier pino, sombra,y yo tu sonrisa.
Y era ensayar la mirada
anhelante. Y era inventar la palabra
amante.
Hay qué ver, cómo era.
Era el tiempo lleno.Era el aire espeso.
Era el mundo bueno.
Y yo, horizonte de tus besos.
Y era ensayar la mirada
anhelante.Y era inventar la palabra
amante.
(cantado por Patxi Andión)

Saturday, November 03, 2007

(foto de Nuno Monteiro)

É apenas o começo. Só depois dói, e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão.
Que pode acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo.
Aqueles cabelos,as suas gotas de água são o começo, apenas o começo.
Antes do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno a mais ardente das estações.
Eugénio de Andrade

Wednesday, October 24, 2007


:
E parecia aquele Tejo
este rio doirado
parecia até que tu vinhas
comigo a meu lado
ou seria das flores
e das matas cheirosas
das madressilvas dos frutos
das ervas babosas
:
E pareciam campinas
vales tão estendidos
pareciam mesmo os teus braços
que me abraçam cingidos
ou seria das silvas
do gengibre do benjoim
do cheiro daquela chuva
dos cacimbos enfim
porque haveria de ter
saudades tuas
ao longo de um claro rio
de água doce
:
E parecia verão
no imenso arvoredo
parecia até que dizias
qualquer coisa em segredo
ou seria dos dias
muito quedos
sem fim
das noites
muito melhor
assombradas
assim
porque haveria de ter
saudades tuas
ao longo de um claro rio
de água doce

Ao longo de rio claro de água doce
(Fausto)

Wednesday, October 17, 2007


Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele
David Mourão Fereira

Tuesday, October 16, 2007

Não esquecer
Adriano Correia de Oliveira ( 9 de Abril de 1942-16 de Outubro de 1982)


Adriano
Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima

Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de feita na amargura
e a quase insurpotável nostaligia
que trazia por dentro da ternura

O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem quer caber e não cabia

Os pés fora do berço e do destino
alguém o viu partir de viola ao ombro.
Era Outouno em Avintes. E chovia
Manuel Alegre


Friday, October 05, 2007

At last



Ouve-se sempre, sempre, sempre...

Thursday, September 27, 2007


As Guerras da Gellhorn
Acabei de comprar "A Face da Guerra'. Uma selecção de reportagens de guerra desde a Guerra de Espanha até à Guerra do Panamá. Escrito por Martha Gellhorn(1908-1998), jornalista americana, dizem que é um livro emocionante como foi a vida da sua autora. Terceira mulher de Hemingway, parece que a senhora viveu a vida com intensidade, paixão e inteligência.
Já venho....

Voluntário
Precisa-se
Homem, com sorriso claro e olhar transparente,
que tenha a cultura que permita a conversa sem tempo
mas que não envergonhe o saber que ainda não chegou.
Que goste de rir, que faça rir, que ria de si
mas que saiba chorar também.
Que aprecie o ócio sem dele se tornar escravo
e que gaste menos dinheiro do que ganha.
É necessário que saiba olhar para além do que se vê.
Precisa de ter idade para saber o que não quer,
que saiba interpretar o olhar
e disponibilidade para abraçar.
Importante que saiba calar-se quando as palavras podem ser pedras.
Esta causa não tem horário nem férias.
Não haverá retribuição, horas extraordinárias,
promoções na carreira ou ajudas de custo.
Procura-se voluntário para encontrar a alma

Wednesday, September 26, 2007

Porque olhas a lua?
Não consigo deixar de olhar!
Está longe, distante, mas o brilho encanta-me!
E quando ela não brilha?
Vejo-a!
Sabes que quando ela não brilha
é quando ela mais precisa de ser vista.




Saturday, September 22, 2007

You're always on my mind

Tuesday, September 04, 2007


Poema do regresso

Jose Angel Buesa

Venho do fundo escuro de uma noite implacável,
e contemplo os astros com um gesto de assombro.
Ao chegar à tua porta confesso-me culpável,
e uma pomba branca pousa no meu ombro

Meu coração humilde detém-se na tua porta,
com a mão estendida como um velho mendigo;
e teu cachorro late de alegria na horta,
porque, apesar de tudo, segue sendo meu amigo.

Ao fim cresceu o roseiral, aquele que não crescia
e agora oferece as suas rosas atrás da grade de ferro;
Eu também mudei muito desde aquele dia,
pois não tem estrelas as noites do exílio.

Talvez tua alma esteja aberta atrás da porta fechada;
porém ao abrir tua porta, como se abre a um mendigo,
olha-me docemente, sem perguntar-me nada,
e saberás que não havia voltado... porque estava contigo.

Thursday, August 02, 2007

Pedimos desculpa por esta interrupção o programa segue dentro de momentos

Wednesday, August 01, 2007


'Para os outros sou pássaro lá longe na árvore, para ti ovo à beira da estrada'
canção de Madagáscar

Tuesday, July 24, 2007


'Pecado é não amar. Pecado maior é não amar até ao fim do amor'
in As mulheres do meu pai, de Eduardo Agualusa

Monday, July 23, 2007

Gosto do número cinco
porque cinco se escreve com cinco letras
e cinco são os dedos que se veem na mão aberta.
Cinco é nome de qualquer filho,
do amor que abraça.
Porque cinco são as letras do tempo,
do nome amado,
e do calor sentido.
Gosto do cinco
porque é o do poema.
É o número da bruma
e da chuva.
Cinco é o da terra que nos faz nascer,
da morte,
e do ciclo fechado.

Sunday, July 22, 2007

O caso do apito dourado está a tomar proporções de história da carochinha!
Como se não bastasse uma agora apareceu a gémea má. E como é má é morena, como nas histórias das princesas e das bruxas. Curíoso como funcionam os estereótipos do inconsciente colectivo: as loiras boazinhas (e agora também burrinhas) e as morenas, as mázinhas (e agora as muito mais safadas).
Aconselha-se a leitura urgente da Psicanálise dos Contos de Fadas, do Bruno Bertheleim. ;-)

'Divididos entre o bem e o mal, representados por príncipes, fadas e também por monstros, lobos e bruxas apavorantes, os contos de fadas encantam as crianças e os adultos desde a sua criação, que data da época medieval. Mas a sua função não pára aí, pois além do entretenimento, transmitem ainda valores e costumes e ajudam a elaborar a própria vida através de situações conflitantes e fantásticas.Jung, discípulo de Freud, referia que “Mitos e contos de fadas expressam processos inconscientes. A narração dos contos revitaliza esses processos e restabelece a simbiose entre consciente e inconsciente”

(------->>>> Vou à procura do João Ratão e já volto)


Tuesday, July 17, 2007


Não é que goste de olhar para o passado nem imaginar o futuro, mas nesta noite de insónia fui espreitar o meu moribundo blog do sapo ( e não digo morto porque não tenho coragem de o enterrar) e constatei que afinal estou completamente embrutecida.
Bem me dizia um amigo para eu recuperar alguns textos aqui para o blogspot. E eu de tão embrutecida que estou até me sinto orgulhosa só de copiar o que fiz há dois anos atrás (tomar consciência do estado de letargia servirá para acordar?!).
Em 31 de Outubro de 2005 escrevia:
Impressões

Gosto da palavra hoje! Parece dar-me a verdadeira dimensão do tempo: objectivo, acessível e prático. É verdade que ainda me perco no passado, sinto que me prende com as suas correntes mais do que o futuro. Mas o hoje é o que é possível!


Hoje, dei comigo a pensar na maravilha de alguns fenómenos. Como é que com 7 notas musicais se compõe uma infinidade de sons diferentes? Como, com 24 letras, se escreve em português uma imensidão de sentimentos, emoções e pensamentos? E como é que juntando 4 cores apenas (cyan, magenta, amarelo e preto) se pintam todas as cores da natureza?


Não entro nos pormenores dos processos físicos e químicos que explicam uma série de fenómenos, basta ficar por estes para tomar consciência da minha surpresa.


Hoje também constatei que já existem mais de 1000 entradas para este blog. Aos que aqui vêm, sobretudo para os que com os seus comentários, muitos deles tão assíduos quantos os posts que coloco, deixam um estímulo que desconhecem mas que eu sinto, envio o meu obrigada."


HOJE

constatei que em vez de andar para a frente tenho recuado em muitas frentes!

HOJE

estou com a impressão que esvaziei!


(lá no sapo, num blog que não tem posts novos há 2 anos, há tantos visitantes quanto neste em que, quase todas as semanas, copio umas merdas de umas letras animadas por umas merdas de vídeos. Obrigada aos resistentes!)