Wednesday, October 17, 2007


Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele
David Mourão Fereira

Tuesday, October 16, 2007

Não esquecer
Adriano Correia de Oliveira ( 9 de Abril de 1942-16 de Outubro de 1982)


Adriano
Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima

Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de feita na amargura
e a quase insurpotável nostaligia
que trazia por dentro da ternura

O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem quer caber e não cabia

Os pés fora do berço e do destino
alguém o viu partir de viola ao ombro.
Era Outouno em Avintes. E chovia
Manuel Alegre


Friday, October 05, 2007

At last



Ouve-se sempre, sempre, sempre...

Thursday, September 27, 2007


As Guerras da Gellhorn
Acabei de comprar "A Face da Guerra'. Uma selecção de reportagens de guerra desde a Guerra de Espanha até à Guerra do Panamá. Escrito por Martha Gellhorn(1908-1998), jornalista americana, dizem que é um livro emocionante como foi a vida da sua autora. Terceira mulher de Hemingway, parece que a senhora viveu a vida com intensidade, paixão e inteligência.
Já venho....

Voluntário
Precisa-se
Homem, com sorriso claro e olhar transparente,
que tenha a cultura que permita a conversa sem tempo
mas que não envergonhe o saber que ainda não chegou.
Que goste de rir, que faça rir, que ria de si
mas que saiba chorar também.
Que aprecie o ócio sem dele se tornar escravo
e que gaste menos dinheiro do que ganha.
É necessário que saiba olhar para além do que se vê.
Precisa de ter idade para saber o que não quer,
que saiba interpretar o olhar
e disponibilidade para abraçar.
Importante que saiba calar-se quando as palavras podem ser pedras.
Esta causa não tem horário nem férias.
Não haverá retribuição, horas extraordinárias,
promoções na carreira ou ajudas de custo.
Procura-se voluntário para encontrar a alma

Wednesday, September 26, 2007

Porque olhas a lua?
Não consigo deixar de olhar!
Está longe, distante, mas o brilho encanta-me!
E quando ela não brilha?
Vejo-a!
Sabes que quando ela não brilha
é quando ela mais precisa de ser vista.




Saturday, September 22, 2007

You're always on my mind

Tuesday, September 04, 2007


Poema do regresso

Jose Angel Buesa

Venho do fundo escuro de uma noite implacável,
e contemplo os astros com um gesto de assombro.
Ao chegar à tua porta confesso-me culpável,
e uma pomba branca pousa no meu ombro

Meu coração humilde detém-se na tua porta,
com a mão estendida como um velho mendigo;
e teu cachorro late de alegria na horta,
porque, apesar de tudo, segue sendo meu amigo.

Ao fim cresceu o roseiral, aquele que não crescia
e agora oferece as suas rosas atrás da grade de ferro;
Eu também mudei muito desde aquele dia,
pois não tem estrelas as noites do exílio.

Talvez tua alma esteja aberta atrás da porta fechada;
porém ao abrir tua porta, como se abre a um mendigo,
olha-me docemente, sem perguntar-me nada,
e saberás que não havia voltado... porque estava contigo.

Thursday, August 02, 2007

Pedimos desculpa por esta interrupção o programa segue dentro de momentos

Wednesday, August 01, 2007


'Para os outros sou pássaro lá longe na árvore, para ti ovo à beira da estrada'
canção de Madagáscar

Tuesday, July 24, 2007


'Pecado é não amar. Pecado maior é não amar até ao fim do amor'
in As mulheres do meu pai, de Eduardo Agualusa

Monday, July 23, 2007

Gosto do número cinco
porque cinco se escreve com cinco letras
e cinco são os dedos que se veem na mão aberta.
Cinco é nome de qualquer filho,
do amor que abraça.
Porque cinco são as letras do tempo,
do nome amado,
e do calor sentido.
Gosto do cinco
porque é o do poema.
É o número da bruma
e da chuva.
Cinco é o da terra que nos faz nascer,
da morte,
e do ciclo fechado.

Sunday, July 22, 2007

O caso do apito dourado está a tomar proporções de história da carochinha!
Como se não bastasse uma agora apareceu a gémea má. E como é má é morena, como nas histórias das princesas e das bruxas. Curíoso como funcionam os estereótipos do inconsciente colectivo: as loiras boazinhas (e agora também burrinhas) e as morenas, as mázinhas (e agora as muito mais safadas).
Aconselha-se a leitura urgente da Psicanálise dos Contos de Fadas, do Bruno Bertheleim. ;-)

'Divididos entre o bem e o mal, representados por príncipes, fadas e também por monstros, lobos e bruxas apavorantes, os contos de fadas encantam as crianças e os adultos desde a sua criação, que data da época medieval. Mas a sua função não pára aí, pois além do entretenimento, transmitem ainda valores e costumes e ajudam a elaborar a própria vida através de situações conflitantes e fantásticas.Jung, discípulo de Freud, referia que “Mitos e contos de fadas expressam processos inconscientes. A narração dos contos revitaliza esses processos e restabelece a simbiose entre consciente e inconsciente”

(------->>>> Vou à procura do João Ratão e já volto)


Tuesday, July 17, 2007


Não é que goste de olhar para o passado nem imaginar o futuro, mas nesta noite de insónia fui espreitar o meu moribundo blog do sapo ( e não digo morto porque não tenho coragem de o enterrar) e constatei que afinal estou completamente embrutecida.
Bem me dizia um amigo para eu recuperar alguns textos aqui para o blogspot. E eu de tão embrutecida que estou até me sinto orgulhosa só de copiar o que fiz há dois anos atrás (tomar consciência do estado de letargia servirá para acordar?!).
Em 31 de Outubro de 2005 escrevia:
Impressões

Gosto da palavra hoje! Parece dar-me a verdadeira dimensão do tempo: objectivo, acessível e prático. É verdade que ainda me perco no passado, sinto que me prende com as suas correntes mais do que o futuro. Mas o hoje é o que é possível!


Hoje, dei comigo a pensar na maravilha de alguns fenómenos. Como é que com 7 notas musicais se compõe uma infinidade de sons diferentes? Como, com 24 letras, se escreve em português uma imensidão de sentimentos, emoções e pensamentos? E como é que juntando 4 cores apenas (cyan, magenta, amarelo e preto) se pintam todas as cores da natureza?


Não entro nos pormenores dos processos físicos e químicos que explicam uma série de fenómenos, basta ficar por estes para tomar consciência da minha surpresa.


Hoje também constatei que já existem mais de 1000 entradas para este blog. Aos que aqui vêm, sobretudo para os que com os seus comentários, muitos deles tão assíduos quantos os posts que coloco, deixam um estímulo que desconhecem mas que eu sinto, envio o meu obrigada."


HOJE

constatei que em vez de andar para a frente tenho recuado em muitas frentes!

HOJE

estou com a impressão que esvaziei!


(lá no sapo, num blog que não tem posts novos há 2 anos, há tantos visitantes quanto neste em que, quase todas as semanas, copio umas merdas de umas letras animadas por umas merdas de vídeos. Obrigada aos resistentes!)









Monday, July 09, 2007

Encosta-te a mim
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.



eu queria-te bem...

Wednesday, July 04, 2007

Shine on you crazy diamond

Saturday, June 30, 2007



Num emaranhado, suportado em fios de seda,
pouco visível mas forte
descubro as minhas mãos,agarrando o nada.
E mesmo que os olhos, de lágrimas encharcados,
guiem os passos num caminho enganado,
esta seda, purpúra e doce, prende-me a vontade
e sufoca-me na minha própria sorte.

Saturday, June 23, 2007



Para ti, Violeta, com a mágoa de ter sido tão curta a tua passagem por cá!

Sunday, June 17, 2007



Acredito que a loucura seja visita assídua deste espaço!

Thursday, June 14, 2007



COLUMBINA – Estou então entre dois fogos?

PIERROT (avança um passo, com ambas as mãos no peito) – O do meu coração, Columbina!

MEFISTÓFELES (avança também um passo, dobra-se numa leve reverência) – Columbina..., o do meu desejo.

COLUMBINA – Sois perseverantes, vejo-me reduzida a ouvir-vos. Já é um triunfo vosso. Ainda bem que sois dois, um neutralizará o outro. (Puxa de uma cadeira, senta-se a meio da cena, voltada para o público.) Vem cá Pierrot! (Pierrot, de salto, vem cair a seus pés) Vem também, Mefistófeles! (Mesfistófeles adianta-se com aprumo e graça, pára a seu lado, espera.) E agora divirtam-me! conquistem-me! façam-me esquecer que me obrigam a ouvi-los.

PIERROT e MEFISTÓFELES (a um tempo) – Quando aqui entrei Columbina... (Calam-se ambos, entreolham-se; cada um espera que o outro prossiga. Silêncio breve.)

COLUMBINA – Não comecem por falar ambos a um tempo! e não principiem assim. Que vão dizer-me? O comum: «Quando aqui entrei, Columbina, não supunha vir encontrar...» Ou então: «Quando entrei, Columbina, já trazia a certeza de vir encontrar...» Pelo amor de Deus! lembrem-se que sou uma rapariga mais ou menos moderna.

PIERROT – Eu não ia dizer isso, Columbina.

COLUMBINA – Apostamos que sim?

MEFISTÓFELES – Veio-te à cabeça que o dissesse eu?

PIERROT – Bem, Columbina: é verdade! Eu ia dizer: «Quando aqui entrei, Columbina, já sabia que me aconteceriam grandes coisas...»

COLUMBINA – Aconteceram, Pierrot?

PIERROT – Encontrei-te, minha Columbina.

COLUMBINA – Vês? Caíste na cilada.

PIERROT – Também a não evitei, Columbina.

COLUMBINA – Mas porquê? Por que disseste exactamente o que eu queria... isto é: o que eu receava que dissesses? Não sabes nada menos repetido?

PIERROT – As palavras mais repetidas podem tornar-se novas. Toda a gente as diz, quase ninguém as sente.

COLUMBINA – Ninguém! Só tu.

PIERROT – Sou poeta, Columbina. Descubro a virgindade das coisas gastas.

COLUMBINA (para Mefistófeles) – Socorre o teu amigo, Mefistófeles! Pierrot está em grande perigo.

PIERROT – Em grandes perigos. A qual te referes?

MEFISTÓFELES – Não sou amigo de Pierrot. Não o conheço.

PIERROT (imediatamente) – Não sou amigo de Mefistófeles; nem pretendo conhecê-lo.

MEFISTÓFELES – Só perdes. Tenho algum interesse.

PIERROT – Talvez também tu percas. E a falar verdade, não me parece que tenhas grande interesse.

MEFISTÓFELES – Estás a ser pouco amável, Pierrot. Não é uso, cá na roda, tratar-se um rival com essa falta de cortesia.

PIERROT – Quem te diz que pretendo aprender os costumes da tua roda?

MEFISTÓFELES – Sou mais gentil do que tu: Não quero crer que os ignores. (?)

COLUMBINA – Mas tem graça!: estamos aqui os três sem nos conhecermos. Tanto melhor... assim nos podemos interessar uns pelos outros. Que interesse podem ter as pessoas conhecidas?

in, as Três Máscaras de José Régio