Tuesday, April 04, 2006

INNUENDO
While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons and on and on
.....
Porque podes ser quem tu quiseres


Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos,
não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
Nuno Júdice

Sunday, April 02, 2006















Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte
Alexandre O'Neill

Saturday, April 01, 2006

Mãe,
onde estiveres,
continua a receber
as minhas rosas
por teres nascido neste dia.
O meu amor por ti
não tem dia de aniversário
porque nasceu antes de mim
e perdurará na eternidade
contigo
estou sem inspiração para criar um mentira neste dia!

Friday, March 31, 2006

Para deliciar os sentidos
A belissima Norah Jones
Sugiro que desliguem a música de base do blog clicando no ícon respectivo que existe na frame direita, mais a abaixo

Thursday, March 30, 2006


(pintura de klimt)

SONETO XLIV

Si todo mi cuerpo fuese pensamiento
la distancia cruel no se nos interpondría
pues yo volaría en el espacio
hacia el más apartado sitio donde habitas.

No habría entre nosotros materia alguna
pues el ágil pensamiento franquearía los mares
y allí donde tú estuvieres
yo decidiría estar.

Pero ¡ah! me mata pensar que no soy pensamiento
para salvar de un salto tan dilatada extensión,
y todo el mar y la tierra que nos separan
deberán esperar el transcurrir del tiempo.

Sólo con mis gemidos y amargas lágrimas,
hallo las prendas de amor de nuestro duelo.

William Shakespeare

Wednesday, March 29, 2006















Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo meu sonho,
dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas
Cecília Meireles

Tuesday, March 28, 2006

Hoje
hoje vi um raio de Sol pela janela,
senti o cheiro de Primavera
...foi um momento
mas tornou-me a manhã mais bela.
Sorriram as palavras,
disseram-se os sorrisos
e os passos caminharam na rotina,
não querendo ir com ela
hoje foi diferente
na igualdade dos dias

Sunday, March 26, 2006

Poema que Aconteceu
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.
Drummond de Andrade

Saturday, March 25, 2006

Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse

Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo
que ambos empunhamos na cidade clandestina
Quando as manhas cheiravam a óleo e a flores
e o inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo;
se ao menos tivesses levado as minhas mãos para
tocar os teus dedos para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos.
Joaquim Pessoa

Monday, March 20, 2006

'Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver' (Vinícius
)


Oiço-as as palavras,
com a voz de quem as escreveu
e latejam-me na pele.
A solidão apodera-se do meu olhar.
Estou eu,
exausta da areia
que me passa por entre os dedos
e do calor do Sol que me queima o rosto

Sinto as ondas do mar
que não vejo,
mas quando caminho,
não vou para lá.
Estou eu,
no meu desgosto
em direcção a nada,
e só a Lua é a mesma,
prateada!
Um céu e nada mais
Um céu e nada mais - que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul - como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais - que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em altorisco),
e a dança no trapézio proibido,
sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.
Ana Luísa Amaral

Sunday, March 19, 2006

This love
This love
This love is a strange love
A faded kind of mellow
This love
This love
I think I'm gonna fall again
And even when you held my hand
It didn't mean a thing, this love
This love
Now rehearsed we stay, love
Doesn't know it is love
This love
This love
It hasn't have to feel love
It hasn't need to be love
It hasn't mean a thing
This love
This love loves love
It's a strange love, strange love
This love
This love
This love is a strange love, strange love
I'm gonna fall again
It doesn't mean a thing
Think I'm gonna fall again
This love
(Craig Amstrong)

Amor estranho, suave que está apaixonado pelo amor...como muitos!

Friday, March 17, 2006

Sabes?

sabes do que me lembro de ti?
do teu olhar azul,
escuro e profundo,
do teu sorriso e das tuas mãos!
e esquecerei jamais
que o sopro da tua presença
alterou o meu rumo

Wednesday, March 15, 2006

BIZARRIAS
1
"Pessoas que não sabem que estão mortas" , livro de auto-ajuda foi seleccionado pela Bookseller como o mais bizarro do ano. Imaginem que o segundo lugar foi ganho pelo livro "Gestão de reservas de chifres para rinocerontes". Estou certa que vão já a correr comprar os dois...
2
Vai aparecer um novo 'franchising': pizzaria+gelados. Na konopizza quem sabe poderemos comer gelado de carbonnara e pizza de frutos silvestres.
3
Ahhh e isto tudo acompanhado da leitura de qualquer de um dos dois livros referidos atrás:
eitaa grande programa de fim de semana!

Tuesday, March 14, 2006

Soneto da Lua
Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Vinicius de Moraes

Saturday, March 11, 2006

Regresso

Na volta do tempo que passa

sem retorno,

suspende-se o ar

ficou o momento.

No regresso a casa ilumina-se

o olhar de alegria.

É sempre bom regressar,

rever e revisitar

e preparar a alma, para sair,

mais uma vez,

quem sabe,

um dia

É sempre bom voltar

O meu amor por você
Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você
E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você
Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você
Nunca se esqueça nenhum segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você
Roberto Carlos

Hoje descobri este simples, mas lindissimo, poema de amor cantado pela voz de Oswaldo Montenegro. Um encanto para os sentidos!


Friday, March 10, 2006

Os DonnaMaria são um trio de Lisboa e lançaram o seu primeiro álbum em meados do ano passado. Nesse disco, entre outras, estão incluídas a musica que estão ouvir 'Quase Perfeito' e uma nova versão da canção escrita e cantada pelo António Variações 'Estou Além' cuja letra coloquei no post anterior.
A não perder o 'Tudo é para sempre'