Friday, March 10, 2006

Estou Além
Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei do que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
A quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem quem não conheci
Porque eu só quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem quem não conheci
Porque eu só quero quem quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
A vontade de partir
P’ra outro lugar
Vou continuar a procurar
O meu mundo o meu lugar
Porque até aqui eu só
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir aonde eu não vou
Porque eu só estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir aonde eu não vou
Porque eu só estou bem aonde eu não estou
António Variações

Wednesday, March 08, 2006

O sol nas noites e o luar nos dias
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes.
Estou morta na quermesse
dos teus beijos.
Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Natália Correia

Monday, March 06, 2006

Sou meia-luz
Sou meio-irmão
Sou meia-noite
Meio-limão
Meia-idade
Sou meio mau
Sou meio-fio
Sou meia-nau
Sou meia-laranja
Sou meio-gás
Sou meia-lua
Meio rapaz
Meio-tempo
Sou meia-final
Sou meio-jogo
Sou meio animal
Sou meio tia
Sou meio-tom
Sou meia-lona
Meio bom
Meio-termo
Sou meio-corpo
Sou meio-vivo
Sou meio-morto.

Apague a luz se faz favor
Porque agora é meio-dia.
Nino Garbin

Sunday, March 05, 2006


Perde-se o olhar no horizonte,
procurando nada.
Oiço o silêncio,
cheiro o mar na sua força,
e deixo-me acariciar pela brisa.
Sinto-te na boca e
não penso.
Só sei que não estou aqui,
estou onde meu o olhar está

Saturday, March 04, 2006

Identidade
Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que ha' no sofrimento.


Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Da' beleza e sentido a cada grito.


Mas como as inscrições nas penedias
Tem maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.
Miguel Torga

Wednesday, March 01, 2006

Prece

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum Deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe por onde tu passes

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas
Sophia de Mello Breyner
Parabéns meu filho, meu sangue

Thursday, November 03, 2005

Noticias de ultima hora
Mário Soares, na sua corrida a Belém, conta com o apoio de dois iluestres americanos: Mr. Alzeihmer e Mr. Parkinson
A Caixa Geral de Depósitos com a compra da Compal fica ainda com mais sumo

Tuesday, November 01, 2005

1 de Novembro de 1755 ou a loucura dos deuses
Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, entre seis minutos e duas horas e meia, causando fissuras gigantescas de cinco metros que cortaram o centro da cidade de Lisboa. Com os vários desmoronamentos os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao abaixamento das águas, revelando o fundo do mar, cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um maremoto de grandes proporções, que actualmente se supõe ter atingido 20 metros de altura, fez submergir o porto e o centro da cidade. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram pelo menos cinco dias.
(
http://pt.wikipedia.org/wiki/Terramoto_de_1755)

Thursday, October 27, 2005

hoje choveu o dia inteiro
vi dois rios no mesmo caminho
cheirou-me a Inverno,
de luzes e de noite de natal
Comprei bolo-rei na venda
enrosquei-me no lar, de mansinho
fiz doce de melão
acendi a chama da vida
e disse até já ao Verão

Tuesday, October 25, 2005

Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo.
..Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.

Thursday, October 20, 2005

Na imensidade do cinzento da floresta
em dia de chuva intensa
que se confunde
com as lágrimas da tristeza que persiste
Levanta-se o corpo para ultrapassar
o obstáculo
que na frente do caminho existe

Friday, October 14, 2005

Agora que o Loureiro já ganhou será que os avós de Gondomar já andarão a voar?

Wednesday, October 12, 2005



(Você, foto de Henriques Jesus)
A Loucura propõe um desafio ao Louco: põe palavras nas imagens e eu as direi ao mundo
Persistência!
Nem sei porque me lembrei do Marques Mendes, num pensamento profundo que possivelmente já lhe terá ocorrido: nunca tive a altura ideal!...quem sabe um dia

Friday, September 30, 2005

Dai-me sempre, força qualquer suprema,
capacidade para gritar,
mesmo que no silêncio
E não me retires a faculdade
de ouvir o grito
de quem precisou de o silenciar

85% dos genes humanos são iguais aos dos cães.
Essa diferença faz com que goste mais dos meus dois cães do que de muitas pessoas!
Que fique claro que a foto não é da minha pessoa nem de nehum dos meus cachorros: somos muito mais bonitos

Sunday, September 18, 2005

SONETO DE SEPARAÇÃO
Vinícius de Morais
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.D
e repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Thursday, September 08, 2005

(foto de Sombra de Prata)

e soltam-se os movimentos num turbilhão de vermelho in a diabólica comédia



a justiça daqui os mantém fixos ao chão, e nossas mãos e pés atados pelo tempo que agrade ao justo senhor. ... in a Divina Comédia